Uma construção de muitas mãos – Editorial Boletim Informativo
Boletim Informativo – 19a Edição
Nossa história começa em 2005 com a participação da Fiocruz na elaboração do I Informe Nacional sobre as Espécies Exóticas Invasoras em afetam a Saúde Humana, realizado por 52 pesquisadores da Fiocruz, parte do Programa Nacional para a Biodiversidade (Probio I), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. Em 2009, com a oportunidade de participarmos do Probio II, e o objetivo de transversalizar a biodiversidade nos diversos setores no Brasil, propusemos a construção de um sistema que integrasse a vigilância da fauna silvestre na vigilância da saúde humana. O desafio era incluir a importância da saúde dos animais silvestres como sentinela para ações de antecipação de agravos em humanos e para a conservação.
Mas qual a capacidade nacional em estudos sobre a saúde de animais silvestres? Começamos pelo começo e identificamos mais de 400 pesquisadores que nos diversos estados brasileiros se dedicavam a estudar doenças e a saúde de espécies nativas, vetores e patógenos. Dentre estes, quase 70% estavam nas diversas unidades da Fiocruz, universidades e serviços. Reunimos cerca de 132 deles, de 53 instituições brasileiras no Seminário “Estado da Arte da Saúde Silvestre”, em 2009, em Itaipava, no Rio de Janeiro. Em conjunto identificamos conhecimentos, lacunas, mapas de risco, encaminhamentos e a estrutura inicial do que viria a ser o SISS-Geo.
Mas o conhecimento precisava se consolidar e realizamos também em 2009, a 1ª. Conferência Brasileira de Saúde Silvestre no Rio de Janeiro, com a participação de cerca de 300 especialistas nacionais e convidados internacionais. Trabalhamos em oficinas e assim, iniciamos a construção da estrutura do sistema para monitorar zoonoses no Brasil e como fazer para antecipá-las.

Até 2014, muitas oficinas foram realizadas, com a participação de especialistas de diversas áreas de conhecimento e regiões do Brasil. Desde pesquisadores de campo até aqueles que trabalhavam nos serviços de referências, todos contribuíram para avaliação da proposta, com a discussão de campos necessários. Elementos centrais foram identificados nestas discussões: a necessidade de haver o georreferenciamento dos dados; a oportunidade de chamar a sociedade para participar do monitoramento, a partir de uma experiência realizada na Serra da Capivara no Piauí; o uso da informática, naquele momento imaginado em computadores de mesa, o que por si só já seria uma inovação; a necessidade de se ter a validação taxonômica dos animais e dos patógenos e, para isso, dedicamo-nos à formação da Rede Participativa de Saúde Silvestre sem que, lastimavelmente, até hoje não conseguíssemos avançar sobre ela.


1ª. Conferência Brasileira de Saúde Silvestre, Rio de Janeiro. 2009
Entretanto, as ideias já estavam amadurecidas e a sorte de conhecer um projeto de telemedicina da Universidade Federal de Santa Catarina, deu o im1ª. Conferência Brasileira de Saúde Silvestre, Rio de Janeiro. 2009 pulso definitivo para a construção do sistema ser, não mais nos computadores de mesa e na Web, mas no celular. Foram muitos os desafios para fazer o que nenhum de nós fazíamos e buscar parceiros para isso. Os encontramos no LNCC, com Dr. Pedro Dias, Luiz Gadelha, Hélio Barbosa e seus alunos.

O CISS e o SISS-Geo foram lançados em 21 de março de 2014 e de lá para cá iniciamos as oficinas para formação do uso e de multiplicadores com a sociedade, povos tradicionais e indígenas, profissionais de saúde, ambiente e de outros órgãos.
Testamos o sistema no Pará, na Bahia e no Rio de Janeiro com o projeto SISS-Geo – Ciência Cidadã e Inclusão Digital, com apoio do Funbio, e com povos indígenas, tradicionais, quilombolas, professores, sociedade e profissionais da saúde, ambiente e órgãos, aperfeiçoamos a cada dia sua usabilidade e acessibilidade.
Desenvolver modelos preditivos e a identificação de fatores ecológicos que favorecem a ocorrência de agentes infecciosos que circulam em animais silvestres, antes que cheguem nas pessoas, sempre foi um dos objetivos da Plataforma. Reunimos pesquisadores do LNCC, Fiocruz, Marinha do Brasil, Universidade do México e alunos de pós-graduação e começamos a nos dedicar a este estudo. De 2014 a 2024, muitos avanços foram alcançados e nossos passos podem ser seguidos nos Boletins Anuais do CISS e nas mídias sociais com detalhes, fotografias, depoimentos, entrevistas e vídeos.

